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Açúcar

A DESTRUIÇÃO DO MERCADO
27/04/2018

“Os mercados podem permanecer irracionais por mais tempo do que você ou eu podemos permanecer solventes”

-Keynes

A famosa frase do economista britânico John Maynard Keynes foi lembrada por um executivo do mercado esta semana. Reflete a situação em que as usinas se encontram tendo esperado – sem sucesso – por preços melhores para fixarem seus açúcares. Existe um limite entre a espera condescendente e momento de se jogar a toalha tomado pelo desespero. Essa linha foi atravessada na semana que se encerrou. Mesmo que o mercado pareça irracional, ainda assim a duração desse período pode ser maior do que a capacidade que as usinas possuem de aguentar o rombo no fluxo de caixa esperando por dias melhores. E os fundos que estão vendidos 170 mil lotes ao preço médio estimado por nós a 13.50 centavos de dólar por libra-peso, estão lucrando quase quatrocentos milhões de dólares.

O mercado futuro de açúcar em NY encerrou a sexta-feira com o vencimento julho de 2018 cotado a 11.63 centavos de dólar por libra-peso, representando uma queda de 24 pontos na semana, ou 5.29 dólares por tonelada. Todos os demais meses fecharam em baixa que variam entre dois e seis dólares por tonelada. O spread outubro 2018/março 2019 fechou a 111 pontos embutindo um desconto anualizado de 24%.

Algumas coisas escaparam da minuciosa análise feita pela grande massa de gestores que está envolvida no mercado sucroalcooleiro. Uma delas é o fato de vermos os preços do etanol hidratado despencando em R$ 500 por metro cúbico em apenas 4 semanas sob um cenário de entressafra e crescimento do consumo de etanol. Quem poderia imaginar?  Reforça a tese que o pânico falou mais alto e empurrou as usinas a fecharem contratos de anidro com as distribuidoras a descontos muito mais generosos do que vimos o ano passado. É lamentável, mas essa destruição do mercado é fato.

Como disse um experiente analista, “o que estamos vendo é a mola ser pressionada”. Se quando o hidratado saia da usina a R$ 2.3000 e chegava na bomba a R$ 2.8900 o litro o consumo chegou a quase 1,4 bilhão de litros em março, o que acontecerá com o consumo com uma redução de R$ 0,50 o litro do hidratado, comparando com a gasolina ainda sem redução de preços e com perspectiva de alta dentro do cenário mundial?

Na safra 2015/2016 vimos o consumo de hidratado no primeiro semestre (abril a setembro) somar 9.3 bilhões de litros numa frota de veículos flex de 24.6 milhões de unidades. Com uma frota hoje estimada de 27.7 milhões de unidades, esse consumo pularia para 10.5 bilhões de litros. Observando o histórico de consumo anual com base no período de abril a setembro, em tese, teríamos um potencial de consumir 20.5 bilhões de litros. Nem precisamos nos alongar no argumento para ver que não haveria hidratado para atender a essa demanda potencial. Ou seja, o preço vai se estabilizar e a arbitragem com o açúcar vai continuar a fazer com que as usinas produzam o máximo de etanol possível.

Será que o mercado de açúcar pode cair mais? Nos últimos dez anos, em apenas 2.33% das vezes o mercado ficou abaixo de 11 centavos de dólar por libra-peso e quando ficou, o período mais longo foi de 24 dias alternados. Da mesma forma que, no mesmo período, em apenas 2,33% das vezes o mercado ficou acima de 30,77 centavos de dólar por libra-peso e quando ficou, o período mais longo foi de 48 dias alternados.

O real tem dado sinal de estresse em função da instabilidade política no Brasil (a maior delas atende pelo nome de STF), combinada com a possibilidade cada vez mais crescente de o FED promover ao longo do corrente ano alterações na taxa de juros americana e o efeito que isso pode trazer ao preço das commodities. Se a desvalorização do real (digamos R$ 3,6000) vier acompanhada com a manutenção do preço do petróleo lá fora (digamos Brent a 72 dólares por barril), no curto prazo (6 meses) a curva de etanol hidratado assumindo que o preço na bomba será de 60% do preço da gasolina, o valor do hidratado chegaria a 13.20 centavos de dólar por libra-peso açúcar equivalente.

Embora o superávit tenha crescido, O Centro-Sul continua produzindo a mesma quantidade de ATR de nove safras atrás. Isso é preocupante, especialmente porque neste ano, com os preços baixos do açúcar no mercado internacional, a tendência é de poucos tratos culturais nos canaviais, além do envelhecimento da cana. Muito embora o quadro atual inspire cuidados, pois a posição dos fundos é confortável e ainda podemos estar longe das mínimas, o mundo não vai poder prescindir do açúcar brasileiro por duas safras seguidas.

No mercado interno no Brasil, vendas estão devagar e os preços continuam a cair; não sabemos quão ruim pode ficar o real em relação ao US$ já que os quadros político e externo não ajudam. Por outro lado, as usinas mais eficientes do Brasil não conseguem produzir açúcar no atual nível de preços. Como o pânico está instaurado, sim é possível cair mais. Contudo, sem fazer correção alguma de valores pela inflação, isto é, observando apenas o fechamento diário de NY nos últimos dez anos, quem vender agora tem 98,1% de chances de fazer um péssimo negócio.

Este não será um ano para se pagar dívidas. Até o final de março/2018, o levantamento da Archer Consulting mostra que o endividamento das usinas alcançou R$ 88.98 bilhões, 3.89% de acréscimo em relação ao mesmo período do ano passado.

Estão abertas as inscrições para o 30º. Curso Intensivo de Futuros, Opções e Derivativos – Commodities Agrícolas. O curso vai ocorrer nos dias 7, 8 e 9 de agosto, em São Paulo – SP, no Hotel Wall Street, na Rua Itapeva. Se você tem intenção de fazê-lo, lembre-se que as vagas são limitadas e nas últimas edições elas esgotaram 40 dias antes do início do curso.

O livro “Derivativos Agrícolas”, minha autoria com o jornalista Carlos Raices, já está disponível na Amazon Books, iTunes, Google Play, Kobo e Livraria Cultura: é só acessar o link a seguir. Boa leitura!  https://itunes.apple.com/br/book/derivados-agr%C3%ADcolas/id1294585521?mt=11

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Bom final de semana a todos.

Arnaldo Luiz Corrêa

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